quinta-feira, 28 de março de 2013

PAPA NICOLAU V FOI QUEM PROPAGOU A "MALDIÇÃO" DE NOÉ SOBRE A ÁFRICA ( NÃO SOBRE OS NEGROS )





A bíblia narra, em Gênesis 9:18-27, a maldição do patriarca Noé ao neto, Canaã. Noé foi flagrado bêbado e nu pelo filho, Cam, e, irritado, condenou o filho de Cam, Canaã, a ser escravo dos irmãos Cuxe, Mizraim e Pute e também dos tios Sem e Jafé.

Ainda segundo a bíblia, descendentes de Canaã se proliferaram em duas frentes: uma ocupou a região onde é hoje o Estado de Israel e outra foi para o sudeste da África. E é aqui onde a história fica interessante.

A escravidão, fenômeno antigo na história humana, ganhou força nas américas com a chegada dos europeus. A pilhagem dos recursos do novo continente enriqueceu as cortes europeias e exigiu que a igreja legitimasse o escravismo africano.

Em 1452, o papa Nicolau V (1397-1455) emitiu a bula Dum Diversitas, autorizando os reis da Espanha e de Portugal a escravizarem não-cristãos. O papa mirava os povos do Oriente Médio, que resistiam ao evangelho e suas cruzadas, mas a medida beneficiou os traficantes negreiros a partir do século XV. Porém, desde 324 a igreja proibia, sob pena de excomunhão, que se ajudasse na fuga de escravos.

O poder papal não justificava o fato político da escravidão com a narrativa bíblica sobre o desafortunado Canaã, embora as frentes missionárias nos países do Novo Mundo o fizessem. Uma carta do padre jesuíta Manuel da Nóbrega (1517-1570), por exemplo, afirma: “Por serdes descendentes de Can e terdes descoberto a vergonha de seu pai deverão os negros serem escravos dos brancos por toda a eternidade”.

Há uma dupla corruptela nesta narrativa. Primeiro: Noé amaldiçoou o neto, Canaã, e não o filho, Cam. Segundo: a maldição não foi hereditária, valendo apenas para Canaã.

A versão modificada do evento bíblico atravessou os séculos, confundindo inclusive alguns pesquisadores. Com a reforma protestante, a narrativa do genocídio hebreu à cidade de Canaã pelo general Josué, logo após a morte de Moisés, passou a ser atribuída à velha maldição. A escravidão de africanos, idem.

Atualizando a história, portanto: os descendentes de Cam que se estabeleceram no Oriente Médio foram assassinados para dar cumprimento à maldição (esta narrativa encontra-se no livro de Josué, na bíblia). O outro grupo, que ocupou partes da África, foi penalizado com o tráfico negreiro que devastou o continente. Ou seja, os problemas da África são muito mais consequentes de uma história de sofrimento e dedicação a deuses pagãos, que propriamente a referida maldição.

Quanto ao que disse o Deputado Feliciano, e disse mal, se eu tivesse que defendê-lo, porém não vou fazê-lo, diria que devemos ler e entender o que se lê. A maldição, se é que existe como ele disse, é sobre a África, que é formada por negros, em grande parte, mas também por brancos, amarelos, vermelhos, etc. Não só sobre os negros e gays, como muitos ativistas oportunistas e imprensa alienada estão propagando. E, ainda, toda maldição, em Jesus, é quebrada!

É isso aí!

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